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Eu decido meu voto (também no segundo turno)

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Cai participação das mulheres na Câmara Federal

Nós, mulheres, compomos mais da metade do eleitorado neste ano de 2010, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. No entanto, são poucas as mulheres atuando na política. Na eleição desse ano, houve queda na participação feminina.

Na Câmara Federal, a bancada feminina caiu para 8,5% do total de deputados: foram eleitas 44 mulheres, contra 50 na eleição de 2006. A queda também foi registrada na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde a ala feminina diminuiu sua representação: reduziu de nove deputadas para apenas quatro.

Entretanto, foi registrado aumento no número de senadoras: a bancada feminina no Senado chega a 10 representantes (12,3% total). A bancada atual tem oito mulheres.

Para o cargo de governadoras, foram eleitas duas mulheres já no primeiro turno, e outras duas ainda disputarão o segundo turno.

Segundo dados da agência da ONU para igualdade de gêneros, no início deste ano, apenas 15 países tinham mulheres como chefes de Estado ou governo (excluindo rainhas que são chefe de Estado). Em todo o mundo, a porcentagem de mulheres parlamentares era, em maio deste ano, de 19,1%. Em 1995, esse porcentual era de 11,3%.

BBC Brasil destaca cartões da campanha

Site da BBC Brasil também destaca iniciativa da campanha “Eu decido meu voto”.

Democracia ou a felicidade política

Márcia Tiburi

http://www.marciatiburi.com.br

Democracia não é apenas voto, é a atitude cotidiana capaz de revelar o sentido da “felicidade política”.

Além do desejo de felicidade comum a cada pessoa individual, há um desejo ao qual precisamos hoje dar nome próprio, o desejo da felicidade política. No Brasil a política é, há tempos, e cada vez com mais veemência, destruída por mascarados e transformada num território de ninguém. A idéia de política como espaço da realização da comunidade, de cada indivíduo que se une em torno do bem comum, foi destruída há muito tempo. Talvez nem tenha nascido entre nós. De qualquer modo, é preciso assegurar que haja ainda sementes desta idéia que possam alimentar-nos no futuro. Do contrário, sem rumo político, sem a idéia do bem para todos, não haverá esperança, apenas a colonização e a escravidão com a qual iniciamos a história que precisamos a cada dia superar em nosso presente.

Não sabemos muito bem o que é política além do baile de máscaras que vemos pelos jornais, mas sabemos que uma das palavras que traduz sua incógnita é a democracia. Podemos dizer que ser feliz politicamente é hoje realizar a democracia. A democracia é uma palavra capaz de traduzir toda a nossa utopia política, nosso desejo de uma sociedade em que a vida boa seja a possibilidade geral.

Se nem falamos tanto em política, pois perdemos seu sentido, a democracia parece ser a palavra mágica ainda capaz de assegurar este sentido perdido. Uma vida em nome da democracia parece a todos nós uma vida boa, porque justa. É preciso a cada dia revalidar o batismo e rever o que nasce sob a luz de nosso sonho. E é preciso sonhar e reinventar o futuro.

Apesar disso jamais, desde sua invenção, abandonamos a democracia. A modernidade refez o teor da democracia traduzindo-a em nossa capacidade de voto: é a democracia representativa. Quem eleger, como eleger, são questões que nos martelam a mente dia após dia, sobretudo, em tempos de eleição. Mas será só isso? A democracia representativa é prática, mas pouco utópica, exige uma resposta imediata. Nosso tempo é rei no elogio da prática e desdenhoso dos ideais, postura que precisa com urgência ser revista.

A pergunta que precisamos colocar hoje nos toca num ponto grave: será possível manter o sentido da política e mesmo da democracia se pensamos que a democracia é apenas o voto? Somos apenas inábeis para o voto? Ou será que é toda a concepção da política que está hoje perdida? Não seria a hora de re-colocar em cena e com toda a força a idéia de uma “felicidade política”?

Nós decidimos porque nosso voto tem valor

Desde o início deste mês, o Forum de Mulheres de Pernambuco iniciou uma série de ações para provocar os/as candidatos/as a falarem sobre a sua agenda política em relação aos direitos das mulheres. Neste contexto, é lançada nesta semana a campanha “Eu decido meu voto”, uma iniciativa conjunta do Grupo Curumim, Fórum de mulheres de Pernambuco, Rede Feminista de Saúde e Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro. Além dos debates com candidatas e candidatos, cartões impressos e virtuais serão enviados por organizações da sociedade civil para candidatos/as aos cargos de deputado estadual, federal, senador e governador. O material também será remetido para um mailing que inclui atuais parlamentares do Recife e de Pernambuco. A campanha também contará com spots de rádio a serem difundidos em rádios populares e de web.
As mulheres correspondem a a 51,8% do eleitorado brasileiro em 2010, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, Paula Viana, coordenadora do Grupo Curumim, acredita isso ainda não se traduziu em propostas concretas de políticas que diminuam as desigualdades sociais entre homens e mulheres. “Estamos acompanhando os debates que, com raríssimas exceções, apontam propostas com enfoque de gênero. Com a campanha queremos reafirmar que nós decidimos os nossos votos e que só votaremos em candidatas e candidatos com plataforma política coerente e que garanta os nossos direitos”, afirma.
As peças de comunicação da campanha foram produzidas, de forma conjunta, com mulheres de baixa renda que moram em comunidades do Recife. No texto dos cartões e do spot, os candidatos e as candidatas são provocados a falar sobre assuntos como enfrentamento à violência contra a mulher, combate ao racismo, geração de emprego (ou seja, para além da geração de renda, já que grande parte das trabalhadoras vivem em situação de informalidade), aborto e liberdade religiosa (contemplando mulheres negras e de terreiro que sofrem com o preconceito, muitas vezes, institucionalizado).